O Google, a unificação de serviços e o papel do usuário
Que a unificação de serviços a internet é uma tendência, todos sabemos. Não só tendência, mas muitas vezes o caminho obrigatório para o sucesso. Foi assim com a Microsoft, com a Apple e com dezenas de outras empresas que fizeram milhões de dólares fornecendo soluções completas de software. E agora parece ser o caminho para o qual Larry e Sergey dirigem o gigante das buscas.
São inúmeros os exemplos dessa prática no mercado. Pacotes que reúnem uma gama maior de recursos, como o Microsoft Office, são mais conhecidos e utilizados. O usuário ganha facilidade, poupa tempo e a empresa aumenta os lucros. Mas até quando unificar é bom? A questão volta à tona com os recentes lançamentos do Google: Orkut+Talk, Google Docs & Spreadsheets e até mesmo a compra do Youtube.
Particularmente, me senti bastante incomodado pelo primeiro. O serviço é, de fato, excelente, mas também deixou algumas questões em aberto. E aqui não me refiro a esforços concentrados de engenheiros geniais ou inovações substanciais: bastaria ter mantido o que já funcionava.
O eficiente Writely parece ter sido "rebaixado" a um editor de textos similar ao do GMail. Antes, por exemplo, bastaria selecionar um bloco de texto para que a amigável caixa de combinação exibisse a fonte atual. Agora tal recurso foi substituido por um botão
minúsculo e pouco convidativo.
O novo Writely também desconhece a diferença entre citar e aumentar o tamanho de um parágrafo. Pois agora os botões de Citação (quotes) e Identação fazem a mesma coisa. E fazem muito mal. Fui incapaz de editar documentos antigos (e importantes) com segurança porque a compatibilidade não foi mantida.

São inúmeros os exemplos dessa prática no mercado. Pacotes que reúnem uma gama maior de recursos, como o Microsoft Office, são mais conhecidos e utilizados. O usuário ganha facilidade, poupa tempo e a empresa aumenta os lucros. Mas até quando unificar é bom? A questão volta à tona com os recentes lançamentos do Google: Orkut+Talk, Google Docs & Spreadsheets e até mesmo a compra do Youtube.
Particularmente, me senti bastante incomodado pelo primeiro. O serviço é, de fato, excelente, mas também deixou algumas questões em aberto. E aqui não me refiro a esforços concentrados de engenheiros geniais ou inovações substanciais: bastaria ter mantido o que já funcionava.
O eficiente Writely parece ter sido "rebaixado" a um editor de textos similar ao do GMail. Antes, por exemplo, bastaria selecionar um bloco de texto para que a amigável caixa de combinação exibisse a fonte atual. Agora tal recurso foi substituido por um botão
O novo Writely também desconhece a diferença entre citar e aumentar o tamanho de um parágrafo. Pois agora os botões de Citação (quotes) e Identação fazem a mesma coisa. E fazem muito mal. Fui incapaz de editar documentos antigos (e importantes) com segurança porque a compatibilidade não foi mantida.
O chat, que para mim era um dos melhores recursos do Spreadsheets, ficou apenas por lá. Seria ótimo poder discutir a alterações em tempo real ao redigir documentos, mas isso não acontece. A impressão também piorou: agora é preciso passar por duas janelas, sendo que o Writely tinha tecnologia para fazer a coisa em dois cliques. Pra piorar, tive que exportar um documento na base do "Ctrl+C, Ctrl+V", porque pelo menu padrão a acentuação sumia.
É claro que não há apenas desvantagens. A organização de documentos, por exemplo, melhorou substancialmente. E o novo gerenciamento de Feeds RSS do painel de configurações dispensa elogios pela simplicidade e clareza. O centro de ajuda não desaponta: pude encontrar facilmente respostas para a maioria das dúvidas.
Talvez eu esteja exagerando, mas sinto que o Google Docs & Spreadsheets poderia ser muito melhor do que já é se desse ao Writely o melhor do Spreadsheets, e ao Spreadsheets o melhor do Writely. Afinal, quem não gostaria de editar um documento de texto com chat e tornar suas tabelas mais compreensíveis com uma formatação um pouco melhor?
A junção de Google Talk e Orkut, por sua vez, foi uma excelente estratégia para angariar usuários. E graças à qualidade do Talk, mais e mais pessoas aderiram ao serviço como uma alternativa ao Windows Live Messenger.
Ao acessar minha conta no Orkut, e aceitar a integração entre os serviços (que felizmente é opcional), fui obrigado a escolher entre duas opções dolorosas: varrer a minha lista de contatos durante horas em busca de alguns para conversar ou aceitar, do nada, mais de 100 novos e-mails na lista. Escolhi a segunda, e o número de pessoas online triplicou.
É legal ter gente para conversar, mas a situação se torna realmente problemática devido à quantidade. Fica difícil se acostumar com tanta gente de uma vez. E muitos são apenas conhecidos com os quais pouco se fala. Teria sido mais confortável se o Google sugerisse (e adicionasse automáticamente) os usuários com quem mantenho mais contato, como ocorre no Gmail.
Também estou demorando a me acostumar com a idéia de ter minha mensagem pessoal e meu status divulgados nas páginas da rede social, mesmo que isso ocorra apenas para meus amigos. É que estar online no Talk agora parece significar estar online no Orkut. E estar online no Orkut é receber scraps.
Em contrapartida, adorei poder falar com os amigos no meu IM favorito. E eles também adoraram (e aderiram) ao Talk, o que é ótimo. Espero que com a popularização se acelere o ciclo de desenvolvimento, para que logo tenhamos suporte a vídeo e capacidade de teclar com usuarios de outras redes. E o protocolo Jabber permite isso!
E o que dizer do Youtube? Acredito que se a fusão das empresas se der de forma organizada, todos terão muito a ganhar. Pois assim como o Google Video precisa de usuários, o Youtube precisa encontrar formas mais eficientes de organizar seu conteúdo para levar aos visitantes a aquilo que procuram. E nenhuma empresa supera o Google na organização de informações.
Torcemos para que a Google continue inovando cada vez mais e aprenda com eventuais erros que cometer.

6 Comentários:
Adorei o artigo... muito bom...
Por
Erick X., Às
13 novembro, 2006
Somente uma correção ao artigo que por sinal está bem interessante. O Talk já suporta a algum tempo a comunicação com usuários de outras redes jabber (ou o meu é super-dotado ;)
Abraços.
Por
Ricardo Franzen, Às
13 novembro, 2006
ótimo artigo!
muitas verdades ditas...
embora goste muito do google, as vezes ele pisa na bola.
mas no geral, eh ótimo..
sabe, uma vez tava dando erro no meu blog, e a manutençao foi super rapida! e ainda me pediram desculpas pelo incoveniente =D
Por
Anônimo, Às
13 novembro, 2006
Muito bom o artigo, bem imparcial
Por
Unknown, Às
13 novembro, 2006
@rfranzen:
Sim, essa possibilidade ja existe. Mas no artigo eu falo de algo mais interessante: a possibilidade de ter contatos de redes "não -jabber"
Valew pelo feedback :)
Por
Filipe Arcanjo, Às
13 novembro, 2006
Ah certo.. mas sei lá, isso talvez seria uma "perda de identidade". Alguém tem os contatos do ICQ no MSN ? eu não...
abraços.
Por
Anônimo, Às
14 novembro, 2006
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