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domingo, fevereiro 05, 2006

Google vive uma das piores semanas de sua história

Do Último Segundo:
Assim como o Google, Microsoft, Yahoo e Cisco Systems foram nesta semana alvo das críticas de políticos americanos por não comparecer a um pronunciamento, previsto para quarta-feira, sobre suas práticas de censura na China.

Os gigantes de tecnologia disseram que não podiam se apresentar diante de um prazo tão curto e acrescentaram que testemunharão em uma audiência no Congresso americano em 15 de fevereiro.

"Estas grandes e bem-sucedidas empresas de alta tecnologia que renunciaram a enviar seus porta-vozes deveriam estar envergonhadas. Cederam perante Pequim só para aumentar seus lucros", disse Tom Lantos, o democrata que co-preside o conselho de Direitos Humanos organizador do encontro.

Enquanto isso, seu colega democrata Tim Ryan destacou que as companhias americanas continuarão se expandindo no mercado chinês "mas não deveriam deixar que os lucros pesassem mais que os tradicionais valores democráticos como a liberdade de expressão".

Um estudo feito pelo grupo Human Rights Watch, dentro de sua campanha de promoção dos direitos humanos por ocasião dos Jogos Olímpicos de Pequim, colocou em evidência a severa censura que o Google permitiu que o Governo chinês implementasse.

"Uma das maiores ameaças do controle do Governo chinês é o reduzido leque de informação disponível sobre assuntos sensíveis para os chineses", disse a organização nesta semana.

O grupo realizou o estudo no exterior fazendo as mesmas buscas no google.com (buscador internacional), no google.cn (buscador específico para a China) e no google.com.tw (buscador de Taiwan).

O estudo revela que existe uma óbvia censura em torno de todos os assuntos considerados tabu pelo Governo chinês, como a Praça da Paz Celestial, Falun Gong (polêmica seita religiosa), Tibet, pena de morte e Partido Comunista.

Quando são procuradas imagens da Praça da Paz Celestial, cenário do protesto estudantil de 1989 que terminou em massacre, no Google.cn aparecem imagens "turísticas" da praça, com pássaros ou pessoas passeando pela área.

Entretanto, quando essa mesma busca é feita no Google.com, a versão sem censura do buscador nos Estados Unidos, aparecem tanques que avançam pela praça para conter os protestos.

A questão é que, para adquirir as licenças necessárias para operar no país asiático, tanto o Google como Yahoo e Microsoft aceitaram bloquear os resultados que a China não acha aceitáveis.

A organização Repórteres Sem Fronteiras, por sua vez, já manifestou dias atrás que "o lançamento do Google.cn é um dia negro para a liberdade de expressão na China. A empresa defende os direitos dos usuários americanos contra o Governo dos EUA, mas fracassa na hora de defender seus usuários chineses".

Por outro lado, o buscador foi alvo da ira de seus acionistas nesta semana quando, pela primeira vez desde que entrou na Bolsa, em 2004, não alcançou os resultados esperados.

O Google terminou o ano com um lucro líquido de US$ 1,465 bilhão, um resultado mais de três vezes superior ao obtido no ano anterior, mas abaixo do esperado pelos analistas, o que gerou uma ligeira queda de suas ações.

5 Comentários:

  • "Estas grandes e bem-sucedidas empresas de alta tecnologia (...) cederam perante Pequim só para aumentar seus lucros", diz o parlamentar norte-americano.

    E eu pergunto: é pra rir? O maior sustentáculo da China hoje é o próprio governo americano, que "só pra aumentar os lucros" de suas empresas dá status privilegiado de comércio ao gigante oriental, para incrementar seus negócios e penetrar num mercado de mais de um bilhão de pessoas.

    Não que o Google seja santinho nessa história. Mas me espanta essa hipocrisia. Se o governo americano quiser, pode proibir suas empresas de negociar com a China -- como faz com Cuba. Pode criar legislações restritivas a essa pouca-vergonha. Mas eles não querem. Estão apenas jogando para a platéia.

    Por Anonymous Anônimo, Às 05 fevereiro, 2006  

  • Se essa é "uma das piores semanas de sua história", só mostra que a história do Google está prá lá de boa.
    Receber uma crítica do governo é tão ruim assim? Ainda mais quando suas concorretnes receberam a mesma crítica.
    E para uma ação que teve um aumento de mais de 300% em 18 meses, cair 10% não é nada.

    Por Anonymous Anônimo, Às 05 fevereiro, 2006  

  • Está mais do que claro que o interesse foi puramente econômico. Eles estão pouco se lixando para a liberdade de expressão traduzida em "não seja mal", se renderam ao governo chinês para entrar na China e obter mais fatia do mercado. Censurados ou não, vão ver os anúncios da Google e gerar mais alguns bilhões para os cofres da dupla.

    Aí está a prova de que a Google não é tão diferente da Microsoft, Yahoo ou qualquer outra empresa "capitalista selvagem" quando o assunto são as verdinhas.

    Ou será que a Google não compareceu para dar esclarecimentos pois estavam sem relógio?

    Sem dúvidas, entraram no ano com o pé esquerdo.

    Por Anonymous Anônimo, Às 06 fevereiro, 2006  

  • humm... quem aqui tem uma empresa que vale bilhões de dolares que negaria a entrada em um país com a maior população do planeta por m² podendo aumentar ainda mais a sua riquesa? bah, me poupem, eu com essa oportunidade, não a perderia mesmo. existem regras a serem seguidas nos mundos dos negócios, e "às vezes, é necessário recuar para se ganhar uma batalha posteriormente." (A Arte da Guerra - Sun Tzu)

    Por Blogger Erick X., Às 06 fevereiro, 2006  

  • O Erick X. sintetizou o que eu queria dizer: se o Google não entrar na China, é provável que não haverá no futuro nenhum Google do bem nem Google do mal, simplesmente não haverá Google.

    Por Blogger Dherik, Às 06 fevereiro, 2006  

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