"Não seja mau". Com este lema, a Google Inc. conquistou o coração dos

internautas e tornou seu buscador o líder da Internet. De fato, a forma com que a empresa leva as coisas faz com que o usuário se sinta seguro e confie em todos os produtos da empresa. Mas parece que em uma semana a empresa passou de "queridinha" a "demônio" para alguns internautas. Insatisfeitos com as políticas de censura que a Google decidiu seguir na China, alguns usuários propuseram um boicote aos serviços da compania. Os internautas, sentindo-se traidos, alegam que o lema "Não seja mau" parece estar sendo esquecido pela empresa de Mountain View.
Encontramos no Google Groups o
Grupo de suporte geral ao buscador Google, onde usuários indigandos propuseram a idéia. O movimento que começou com alguns usuários poderia em pouco tempo ganhar impulso, tornando a Google uma grande vilã. Grande parte deles ameaça migrar para o Yahoo! ou o Msn Search, desconhecendo o fato de que essas empresas também estão presentes na China, seguindo as políticas do governo.
Outro fato que também pareceu passar despercebido foi a notícia recente de que as concorrentes não só entregaram informações ao governo Americano, bem como mantiveram esse fato em segredo. Até que o Google se recusou a entregar essas informações, e uma a uma as máscaras foram caindo...
Ao serem alertados sobre o comportamento das concorrentes da Google por outros usuários, os candidatos a boicote passaram a procurar outras alternativas, como não clicar nos anúncios, que constituem 70% dos rendimentos da Google. O que talvez as pessoas não entendam é que o problema com a China vem de tempos, desde 2002, quando a empresa resolveu se estabelecer no segundo maior mercado de internet do mundo. Na China as coisas funcionam assim, ou você segue as regras, ou o governo lhe bloqueia. É a ditadura. No início a Google fornecia pesquisa integral aos sites chineses, mas em poucos meses perdeu sua base de dados, pois embora ele ainda fizesse buscas nos sites "proibidos", os usuários que buscassem por este conteúdo não conseguiria abrir as páginas devido a ação do governo, que solicitou o bloqueio. Portanto, não fazia sentido manter termos que não apontavam para nada.
O mesmo problema aconteceu com o
Google News. Quando lançada a versão chinesa todos os sites de notícias podiam ser abertos, mas em pouco tempo aconteceu a mesma coisa que no buscador: as manchetes estavam lá no Google News, mas as páginas referentes aos links simplesmente não existiam, o que tirava toda a credibilidade da Google.
Mas afinal, a empresa responsável por "organizar e tornar acessível todas as informações do mundo" deve ou não ceder ao governo chinês?A questão é sensível, uma vez que aceitando as regras do governo, a Google conquista o segundo maior mercado de internet mundial, mas corre o risco de perder a credibilidade, uma vez que a política da China impõe boicotar resultados.
Porém, se a Google não ceder, pode perder definitivamente o mercado chinês, e provavelmente será expulso da China, o que também o faria perder muitos milhões de dólares e usuários famintos por buscas. Recentemente, Larry Page e Sergey Brin, fundadores da empresa, manifestaram-se a respeito da questão em visita ao Brasil.
"É um mercado complexo. Certamente a censura não é algo de que gostamos. Eu sou russo, nasci em Moscou em 1973, e me lembro bem de como era ter controle e censura em muitas coisas. Não é algo de que eu goste. Mas, ultimamente, chegamos à conclusão de que, se quiséssemos realmente entrar na China, seríamos filtrados de qualquer maneira. Era isso ou não estar lá. A China não é tão importante para nós em termos financeiros, mas, falando em relação aos direitos humanos, ouvimos de muitos estudantes chineses de que a Internet era uma de suas grandes esperanças de liberdade de expressão. E concluímos que era melhor oferecer uma Internet a 99% do que nenhuma Internet. Acho que tomamos a melhor decisão. Ainda que de forma cerceada, as pessoas terão algumas portas abertas com o Google na China. É a minha opinião, embora eu respeite quem pensa diferente. Na internet é preciso aprender a viver com a diversidade de opiniões.", alega Brin. A entrevista na integra está disponível
aqui.
Mais do que nunca, o "não seja mau" está sendo posto a prova, o que faz a Google tomar uma decisão que influenciará seu futuro e que poderá fazer com que ele perca muitos usuários ou ganhe milhares.
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